O COLUNISTA DIZ...

Wendel Pinheiro

Historiador, escritor, professor de formação política da Fundação Leonel Brizola - Alberto Pasqualini e membro do Diretório Nacional do PDT.

Lutar, resistir e vencer

Acompanhando até aqui, quero fazer algumas pontuações à luz da História e com a perspectiva associada à História Comparada e à História do Tempo Presente:

1) A delação de Joesley Batista, muito pior que as revelações de Marcelo Odebrecht e das listas das empreiteiras, marcou a falência da Nova República. Todo o sistema político está comprometido em uma corrupção sistemática e sistêmica, onde a política gira em torno dos interesses dos grandes grupos econômicos, com maior vigor e veemência.

2) Em um regime plutocrata-cleptocrata, não há espaço para temas como soberania nacional, democracia popular e direitos humanos. Não há interesse em realizar qualquer reforma política avançada e democratizante, pois estará em jogo, e na berlinda, os atuais atores políticos, mantendo, assim, a ordem vigente e, quando muito, alterações pontuais e casuísticas na legislação eleitoral.

3) Como resultado de um regime notoriamente plutocrático e cleptocrata, o povo se sente divorciado da política formal, institucionalizada nos partidos e nas entidades representativas – como o Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e o Poder Executivo em todas as suas instâncias. Não à toa o percentual expressivo e estratosférico de abstenção como a expressão viva da deslegitimidade popular à ordem vigente.

4) Dentro do atual momento após o golpe, soluções dentro do escopo da liberal-democracia aprofundam o golpe.

Logo, só uma mobilização popular radical pode alterar o atual sistema. Não há mudanças sem a atuação popular e sem luta. Todas as grandes transformações históricas da esquerda, com ampla participação popular, se deram com rompimento da ordem vigente com a forte atuação popular. Inclusive até para a própria sobrevivência da democracia.

5) Para os setores da direita, qualquer mobilização popular, por menor que seja e que exija minimamente a democracia com participação efetiva do povo, é sempre vista como algo “irresponsável”. Sempre a direita, quando ameaçada, além da violência que ela imprime – e principalmente tendo o uso do poder coercitivo do Estado-, tenta convencer que a defesa da “legalidade” é fundamental para manter o status quo vigente, sem qualquer participação e atuação popular. Tudo para manter principalmente as pactuações por cima com os extratos mais reacionários da sociedade.

6) Para o PDT, só a eleição presidencial direta e as eleições gerais poderão solucionar este impasse, devolvendo ao povo a soberania popular a que ele tem direito. Confiar solução legal com um Congresso Nacional extremamente viciado significa aprofundar a crise e reforçar a possibilidade de um novo golpe em um golpe.

Cabe ao povo brasileiro se unir contra está letargia, derrubar o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer e, nas ruas, pressionar pelas eleições diretas, onde o povo possa ser o senhor do seu destino.

Ousar lutar. Ousar resistir. Ousar vencer.

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