O COLUNISTA DIZ...

Manoel Dias

Ex-Ministro do Trabalho e Emprego, atual Presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini e Secretário-Geral Nacional do PDT.

Entre muros

O modelo tradicional político inaugurado com a Revolução Francesa está em crise na democracia global e nos sistemas de representação política. O fracasso capitalista de um mundo de exclusão, guerra, e ganância aguçada gerou, em pleno século XXI, uma das piores crises humanitárias com os refugiados e de acúmulo de riquezas em nossa historia, aprofundando ainda mais o abismo social do mundo globalizado.

A inesperada eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos traz apreensão e perplexidade. Dias sombrios para o mundo, onde os vínculos civilizatórios agregados em conexões, união, relações, elos, são substituídos por muros, litígios, descortesias, e inseguranças.

As ações dos primeiros dias do conservador Donald Trump a frente do governo americano demonstram de forma inquestionável, as intenções de Washington em se fechar numa cortina de insensatez e retrocessos.

Elegendo a China como alvo de uma inflexão e hostilidades na área econômica, ignoram a segunda maior economia do mundo com uma população de 1,383 bilhão de habitantes. O maior mercado consumidor e que se projeta inabalavelmente para assumir a liderança global.

Ironicamente, Xi Jinping defendendo os mercados livre, na contramão do líder do “mundo livre”. O protecionismo e isolamento credenciando assim a grande virada que a China vem se preparando para assumir a dianteira como maior potencia econômica do planeta.

Conjecturar o mundo hoje sem mensurar a economia chinesa é uma inadvertência grave para os mercados que visem crescimento e investimento.

Este cenário todo gera oportunidades excepcionais para o Brasil na medida em que Donald Trump fecha as portas para o Oriente, onde a economia caminha a passos largos. É nítido que as digitais fragorosas da vitoria chinesa nesta briga de gigantes, onde convida o mundo para caminhar juntos.

O Brasil nesta conjuntura necessita ter um projeto de nação calçado num desenvolvimento em pesquisa e educação projetando nosso país a ser parceiro nesta nova ordem mundial, onde o isolamento e a edificação de muros ruem conforme o avanço dos que querem crescer.

Para isso, precisamos sair de governos ilegítimos, subservientes aos interesses americanos, e investirmos fortemente em educação, pesquisa e tecnologia.

Despirmo-nos do complexo de vira-latas e agirmos como uma nação soberana, buscando as oportunidades que a geopolítica nos oferece.

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