O COLUNISTA DIZ...

Jonatan Fogaça

Jonatan Fogaça é metalúrgico, presidente da Comissão Provisória do Movimento Sindical do PDT em Caxias do Sul (RS) e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos local. Enquanto universitário, o pedetista foi coordenador do Centro

Fusão indigesta

Estamos enfrentando uma grande crise econômica, porém não é uma novidade. A maior de todas foi a Grande Crise de 1929, a partir da queda da bolsa de Nova York, que decorreu em função de uma serie de fatores, entre eles a política de substituições de importações dos países europeus após a Primeira Guerra Mundial. Esse fato desestruturou a economia americana e também impactou o Brasil, com a redução da venda do café para o seu principal consumidor.

Nos países capitalistas, as principais soluções foram: o conservadorismo atrelado ao discurso fascista e a intervenção estatal amparada pelo estado social. Os expoentes do discurso cresceram muito com a crise ao jogar a culpa nas minorias étnicas, imigrantes e opositores políticos, como Franco, na Espanha, Hitler, na Alemanha, e Mussolini, na Itália. No campo social, os americanos operam com o chamado new deal, nome dado à série de programas estatais adotados por Roosevelt com a doutrina Keynesiana.

O fascismo cresceu no mundo e causou o colapso da paz com a segunda grande Guerra Mundial. Só foi parado com muito sangue derramado. No Brasil, a crise sufocou o setor dominante agrário e oligarca concentrado em São Paulo e Minas Gerais e abriu espaço para o triunfo da revolução de 1930, que tinha, por objetivo econômico, a industrialização nacional e a substituição de importações liderada por Getúlio Vargas. Ocorreu um período de muita efervescência popular, com conquistas trabalhistas baseadas no positivismo social que perduram até o dia de hoje, vide a CLT, datada de 1943.

A crise do petróleo na década de 70 e 80 produziu uma nova ordem: o Neoliberalismo, pautado no estado mínimo, nos juros elevados e no cambio flutuante. Os países subdesenvolvidos abriram as alfândegas para a invasão de produtos do exterior e financiaram sua indústria com capital estrangeiro. Esse processo, no Brasil, foi iniciado por Fernando Collor e acentuado por Fernando Henrique Cardoso. As medidas elevaram a divida externa, a desigualdade e o desemprego a patamares dramaticamente maiores que os atuais.

A recessão  atual, nascida com a bolha imobiliária de 2008, nos Estados Unidos, e pela proeminente queda do preço das commodities, nos coloca novamente nessa encruzilhada de soluções. O paradoxo com o passado é o que me deixa temeroso, pois percebo o crescimento do discurso fácil e popular, que joga a culpa, novamente, em minorias étnicas, imigrantes ou opositores políticos.

O nosso país apresenta uma fusão do conservadorismo com o neoliberalismo a partir da mutação originária das ações de 1929 e 1990. Temos a mistura do conservador popular e carismático com um neoliberal, que sendo político, nega a política atrelada à uma massa inculta e afetada pela crise.

Assim, surgem soluções imediatas. Prato cheio para o desastre com o avanço das reformas trabalhista, previdenciária, do ensino, bem como a criminalização dos movimentos sociais.

As soluções que deram certo, como a intervenção do estado na economia, a proteção dos direitos sociais e um projeto de desenvolvimento nacional voltado para um crescimento autônomo da indústria estão escusos para a população.

Para que a tragédia não se concretize, os trabalhadores não devem se encantar com o discurso fácil, pois é nas ruas que a luta ocorrerá para brecar o retrocesso proposto pelo atual governo Temer.

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