O COLUNISTA DIZ...

Greice Franco

Pedagoga e vice-presidente do Movimento Socialista de Cultura Darcy Ribeiro de Caxias do Sul (RS).

Socialismo, agenda de classe e trabalhismo: o que a esquerda não pode abdicar

Brizola dizia que “o trabalhismo, no Brasil, é o caminho para o socialismo”.

O trabalhismo se ergueu entendendo os problemas nacionais e traçando projetos próprios de forma prática e com sucesso.

O trabalhismo, no atual momento, é o único capaz de possibilitar o progresso e é a única via dentro do processo de construção para o socialismo, pois compreende a necessidade do Estado presente de forma a garantir o bem estar da população e calcado por um projeto popular de nação que defende a libertação nacional, a luta contra a oligarquia e o imperialismo.

O trabalhismo de Brizola altera as estruturas sociais, econômicas e políticas visando uma sociedade socialista.

Sempre visualizando o socialismo, preconizando o patriotismo e, juntamente com Darcy Ribeiro, despertando o sentimento de pertencimento e orgulho de ser brasileiro.

Há de se refletir sobre os erros de conceitos e das formas de fazer malabarismos. Essa tática tem uma enorme parcela de culpa no que tange a esquerda “esquecer” seu foco na classe e ser infectada com os identitarismos individualistas.

A partir de um dado momento histórico, falando em escala mundial, os partidos que se intitulavam “social democratas” perderam, de foco, o socialismo e se tornaram uma espécie de “social liberalismo”.

A maioria das siglas de esquerda ou centro-esquerda deixaram de visualizar, no horizonte, o socialismo. Ou seja, foram cooptados pela hegemonia neoliberal.

Quando abdicam da construção do socialismo e até do reformismo, os partidos se tornam meros instrumentos do capital, onde é permitido governar até certo ponto e apenas investido no social, de forma que não exista uma real construção de uma sociedade justa. Assim, passam a visualizar o Estado pela ótica burguesa.

As pautas identitárias baseadas em um pensamento de empoderamento individual passam a sobrepor a emancipação coletiva, pela qual a esquerda sempre lutou. É uma tática de fazer com que os anseios do povo não sejam sanados, pois os verdadeiros socialistas e democratas entendem que não existe justiça, dignidade, verdadeira liberdade e emancipação coletiva sem mexer na estrutura, natureza e ordem do Estado.

Já os sociais liberais entendem que o Estado deve assistir o indivíduo nas questões sociais para um empoderamento individual e governam investindo no social com práticas liberais, políticas neoliberais, além de intuitos neoliberais. Não questionam a ordem vigente e, portanto, não buscam a emancipação, a justiça social e a liberdade real. O capitalismo não tem como ser justo.

Quando se perde a “utopia”, se perde – por experiências reais e comprovadas pela realidade – a capacidade de pensar no outro e no coletivo, de mobilização e até a capacidade de fazer as mudanças necessárias dentro do sistema (reformismo) para a dignidade.

Precisamos compreender o nacionalismo, o qual os sociais liberais nunca compreenderam e, por isso, pregam o internacionalismo.

É necessário entender que o nacionalismo de esquerda descamba no socialismo pela libertação nacional e emancipação de seu povo contra o imperialismo e as oligarquias que realmente matam e escravizam os mais diversos povos.

Sem a defesa do seu próprio povo, progredindo e com táticas para construção de uma sociedade mais justa, fica impossível de se construir o socialismo.

A esquerda precisa compreender o nacionalismo e o trabalhismo e não abdicar ou colocar como secundária a luta dos trabalhadores. Deve ainda defender um projeto popular que respeite a materialidade de cada povo.

Logo, precisamos entender que são necessárias estratégias para uma sociedade mais justa, com educação e conscientização de classe para um propício ambiente para o socialismo. E somente o trabalhismo é capaz, pois mexe nas estruturas, faz reformas, defende o Estado de bem-estar e justiça social.

As nossas práticas devem ser movidas pela coerência ideológica e pela defesa da classe trabalhadora. Não podemos ficar somente no jargão da luta e praticando o individualismo de forma oportunista.

Parafraseando meu amigo Iberê Martí: “O mundo não é uma empresa e gente é gente. A política, o Estado e os políticos têm que governar cidades, estados e países para as pessoas, e não para obter lucro.”

O socialismo é o que verdadeiramente supre as necessidades do povo e é a forma mais bonita de pensamento. A classe e o coletivo devem ser sempre a nossa prioridade.

O enraizamento do socialismo é a forma de superação do seu próprio povo.

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