O COLUNISTA DIZ...

Geraldo Tadeu

Cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Universidade Cândido Mendes (UCAM).

Patrimônio intelectual

Rio tem todas as condições de se tornar economia do conhecimento

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta atualmente a mais grave situação econômica de sua história, pela combinação perversa da crise da Petrobras, da redução de 60% no preço do petróleo em nível internacional e da recessão econômica com a crise política e a Operação Lava-Jato. Tais circunstâncias levam a uma espiral negativa que não nos permite ver luz no fim do túnel.

O Rio, porém, é um estado rico, dono do segundo PIB do país, 80% das reservas de petróleo, uma indústria diversificada e um forte setor de serviços. Tem recursos para sair da crise. Nossa proposta é transformar a crise em oportunidade e apostar na maior riqueza deste estado, seu patrimônio intelectual e criativo. A nosso ver, o Rio tem todas as condições de se tornar uma economia do conhecimento (knowledge-based economy).

Uma economia do conhecimento é um modelo fundado em produção, distribuição e consumo de conhecimento e informação, priorizando investimentos em indústrias e serviços de alta tecnologia, que demandam capital humano qualificado e que resultam em produtos e serviços de alto valor agregado. A alta tecnologia vem aumentando sua participação nos mercados mundiais. Os dez maiores exportadores de tecnologia faturam cerca de US$ 1,5 trilhão por ano. Os empregos, de alta qualificação, pagam salários muito acima da média dos outros setores. Os produtos e serviços tecnológicos têm alto valor agregado, como é o caso do iMac, que custa o equivalente a 28 toneladas de minério de ferro.

O Rio tem grandes vantagens competitivas para se tornar uma economia de conhecimento:

a) uma forte indústria do petróleo, grande consumidora de tecnologia;

b) uma das populações mais escolarizadas do Brasil;

c) um forte setor de serviços;

d) uma ampla infraestrutura de ciência e tecnologia, com 133 instituições de ensino superior, mais de 14 mil doutores, 496 programas de mestrado e doutorado, sete grandes universidades públicas e vários centros e institutos de pesquisa de ponta, como a Fiocruz, o Instituto Militar de Engenharia, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada e o Centro Brasileira de Pesquisas Físicas.

Em suma, as condições estruturais estão aí colocadas. Falta potencializá-las.

Não há que se inventar muito nessa área, pois os exemplos de desenvolvimento induzido abundam na literatura (China, Coreia, Cingapura etc). O que precisamos é de decisão política de fazer, regras claras e estáveis, uma política transparente de incentivos fiscais, uma política ativa e de longo prazo de apoio a PDI e investimento pelo poder público, como financiador e comprador de produtos tecnológicos, sem esquecer a melhoria da educação básica.

Esta proposta não só colocaria o estado na cadeia global de produção tecnológica, mas também faria justiça às nossas universidades e centros de pesquisa, contribuiria para melhorar a qualidade da educação básica e da superior e aumentaria sensivelmente a renda da população. O Rio como economia do conhecimento é um jogo de ganha-ganha. Só falta o pontapé inicial.

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