O COLUNISTA DIZ...

Carlos Michiles

Ph. D em Ciência Politica pela University of Manchester, England. Consultor e funcionário do CNPq. Nasceu em Manaus - AM. Oriundo dos anos 70 da geração iracunda da Universidade de Brasília, UnB.

Ciro Gomes: o candidato da hora. Não podemos errar!

Assim como, em 1989, Leonel Brizola era o candidato da hora, Ciro Gomes, em 2018, é o candidato da hora. Nos dois momentos, 38 anos depois, a história acontece como se fosse o adequado momento do “espírito da época”, “espírito do tempo” ou mesmo um sinal dos tempos, o Zeitgeist, como definiu Hegel em sua filosofia da história, ao se referir ao conjunto de valores, hábitos e crenças político e intelectual de um determinado período histórico.

Ciro Gomes está para o ano de 2018 assim como Brizola estava para 1989. O espírito do tempo, em 1989, se adequava ao momento políticos de Brizola. Se não fosse a concentração de interesses antagônicos ao líder trabalhista, ele seria o primeiro presidente eleito depois de 21 anos de regime militar e o Brasil, com certeza, seria outro, bem distante do que resultou hoje. O alastramento da violência e a construção de presídios, no lugar de espalhar educação e escolas pelo País, levaram o medo e a barbárie que vive a população brasileira hoje.

O que Brizola dizia em seu tempo, Ciro o faz hoje. Retoma o discurso, segundo o qual a população não aceita mais que o Estado brasileiro continue sangrando 45% do resultado de seu trabalho para os interesses internacionais e não forneça à sociedade um mínimo de cidadania, como saúde, educação, segurança e saneamento básico.

Como Brizola em 1989 e, ao longo de sua vida, Ciro é o único presidenciável que encara esse modelo iníquo e explica como estancar a sangria dos trilhões que o governador Brizola chamava das “perdas internacionais”, e o governador Ciro chama de extorsão dos juros da dívida externa que aumenta ao invés de diminuir. O tema e seu conteúdo são os mesmos. O mundo mudou, o País mudou, mas o dilema estrutural do Brasil persiste.

O País vive hoje um momento muito tenso, polarizado e cheio de testosterona. Depois de mais de uma década de governos petistas, o fio da história trabalhista é retomado para debater o que não se vê, mas é real: o nacionalismo brasileiro. Nesse longo período, nenhum desses presidentes encarou a formulação de um projeto de governo capaz de tirar a nação brasileira da situação de país como um “protetorado” do capital internacional, particularmente do capitalismo especulativo rentista.

Diga-se que, neste período, o capital financeiro nunca ganhou tanto dinheiro. Simplesmente ganharam mais de R$ 1 trilhão, enquanto a nossa dívida cresceu ainda mais. Nenhum questionamento estrutural das finanças públicas foi levantado. Esses governos se acomodaram no luxo do capitalismo internacional, enquanto sobravam algumas migalhas para a população pobre brasileira, que funcionam como políticas compensatórias da desigualdade de distribuição da riqueza com as bolsas sociais representando o mirrado percentual do orçamento da União.

O eleitor atual está mais informado e clama por soluções estruturais para o País. Não é mais possível suportar que apenas seis famílias brasileiras detenham 80% da riqueza nacional e pague apenas 4% de imposto sobre fortunas, quando nos EUA, as famílias milionárias pagam 40 %. O país não pode continuar sangrando sua riqueza para pagar o sustento de um modelo de consumo que vive à custa da exportação de produtos agrícolas e minérios e importa manufaturados para uma pequena camada da população.

Desde o tempo de Brizola, essa situação de colônia vem sendo denunciado e, hoje, retomado pelo candidato Ciro Gomes. Aliás, o único candidato que fala e denuncia este modelo de lesa pátria.

Ciro, como Brizola, vem se tornando alvo de difamação dos grandes grupos de interesses financeiros que controlam essa estrutura viciada da política brasileira. Tentam distorcer suas palavras porque não tem motivos concretos para difamá-los, como a corrupção ou outro mal feito na gestão pública quando foram deputados, prefeitos e governadores.  Nunca responderam processo por malversação do dinheiro público. Nem para serem absolvidos.  Aliás, como é a obrigação de todo homem público, como costuma dizer a língua afiada de Ciro. Tanto um como outro nunca foram donos ou sócios de indústrias ou empresas de comunicação de controle da opinião pública.

Entretanto, os momentos são historicamente diferentes.

O mundo mudou e o Brasil mudou mais ainda. A política enfrenta novos desafios com a tecnologia da informação como uma ferramenta de uso amplo e democrático por todas as pessoas. Embora prevaleça aquilo que Umberto Eco chamou de “vazão da voz dos imbecis”. De qualquer forma, esta é uma realidade que Brizola não viveu. Mas Ciro está usando de maneira inteligente as redes sociais para se comunicar onde muitos jovens, espontaneamente, criam sites para difundir seu pensamento. Esta em sido a maior arma de Ciro: comunicação fora do monopólio das grandes mídias. Isto fará uma enorme diferença. Porque esse método Ciro está fazendo bom e fecundo uso de seu potencial que é sua ética discursiva e argumentativa.

Ciro, como Brizola, é o único com a ousadia dos estadistas em apontar a questão fundamental e não apenas abordar temas superficiais da convivência rotineira das pessoas. Ciro segue no lastro trabalhista e adota a linguagem como sua arma principal de convencimento.

Ciro quando fala, interpela, argumenta e explica. Escapa da superficialidade do discurso vazio e genérico. O povo quer e clama por entendimento do que está acontecendo para acolher e escolher respostas estruturais para os nossos problemas.

Entretanto, é preciso estar alerta, porque o sistema político é bruto. Prevalece a selvageria da mentira e da calúnia. Hoje, ocorre um vale-tudo para destruir reputações e história de realizações. Os adversários sempre usarão a arma da ignorância e a ausência da sensatez. Mas Ciro, hoje, sabe que não dá para reclamar da política porque seria o mesmo que, como dizia Churchill, o marinheiro reclamar do mar.

Estamos diante da perspectiva que se abre para o grande momento em que se encontrarão o homem político Ciro Gomes e o espírito do seu tempo. O desafio é sua capacidade de discernimento para evitar provocações rasteiras, que prejudiquem sua ascensão para realizar as mudanças estruturais que o País, desesperadamente, busca, em candidatos que tenham experiência administrativa e autoridade moral para fazê-las.

Como Brizola, Ciro Gomes tem autoridade moral para realizar este destino.

Recentes de Carlos Michiles

COMENTÁRIOS