O COLUNISTA DIZ...

Natália Moraes

Presidenta da Juventude Socialista do PDT do Rio de Janeiro e do B.C. Órfãos do Brizola., militante feminista e estudante de Administração Pública na UNIRIO.

Filhas da luta: a ideia de que a vida pode ser diferente

Historicamente, o “segundo sexo” – a posição feminina nas sociedades – sofre com as desigualdades, entre homens e mulheres, que ocorrem em todos os campos da sociedade: instituições econômicas, sociais e políticas. Em algumas situações, elas são explícitas; em outras, aparecem turvas, pela ação de várias formas de eufemismo social.

Nós – Filhas da Luta – procuramos meios para combatê-las; afinal, acreditamos que a desigualdade não é uma condição necessária das sociedades, mas um produto cultural passível de mudança. A história das mulheres é de uma trajetória de lutas, de combates às diferentes formas de manifestação das opressões.

O que a literatura pertinente costuma definir como patriarcado, dominação de classe, dominação racial e dominação sexual está diretamente relacionado a estas experiências sociais que, mesmo hoje, ainda estamos longe de tê-las superado.

É sabido, no entanto, que foi no século XX que se deram algumas das principais mudanças no cotidiano das mulheres, com repercussões em toda a sociedade. Mas o movimento feminista tem uma história mais antiga – que não seria possível resgatar, por inteiro, aqui com a dignidade merecida. Portanto, vamos nos ater mais especificamente à luta feminista e a das mulheres do nosso país.

Começa, nos anos 1870, a “Primeira Onda” do feminismo com a presença de grande número de jornais e revistas de feição feminista, editados no Rio de Janeiro e em outros pontos do país. Seu principal marco foi em 1932 na conquista do sufrágio feminino no Brasil e na composição da comissão de elaboração do anteprojeto da nova Constituição Brasileira por Bertha Lutz e Nathércia da Cunha Silveira, nomeadas pelo Presidente Getúlio Vargas. Que, até hoje, o voto feminino é considerado um legado feminista consolidado pelo Trabalhismo.

A “Segunda Onda”, já nos 1960, teve a participação das mulheres brasileiras na luta armada contra a ditadura e o regime militar. E, nos anos 80, na “Terceira Onda”, se manifestaram no processo de redemocratização e na construção de ênfases nos debates sobre as diferenças intragênero; ou seja: aquelas vividas pelas mulheres negras, lésbicas, bissexuais, indígenas, rurais etc. – além do movimento acadêmico, formado por professoras e alunas, que institucionalizou  os estudos sobre a mulher.

Em 2000 – início da “Quarta onda” – foi o momento da institucionalização efetiva das demandas das mulheres e do feminismo, por intermédio da entrada delas no âmbito dos poderes Executivo e Legislativo; e da criação de políticas públicas para as mulheres. Embora, pulando muito a história, em 2018, assédio sexual, violência e discriminação contra as mulheres continuem a chamar a atenção, inclusive da opinião pública, que clama por mudanças.

O Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para celebrar os avanços (ainda que poucos); e, principalmente, tomar medidas concretas e transformar a vida das mulheres. Espero que esta mensagem traga alguma contribuição para o aprofundamento da democracia brasileira, possibilitado, necessariamente, a ampliação da ocupação dos espaços de poder e decisão pelas mulheres do Brasil. Este é o momento!

Como colaboração à discussão, necessária, transcrevo o pensamento de Simone de Beauvoir: “Pergunta-se: como tudo isso começou? É fácil verificar que a dualidade de sexos, como qualquer dualidade, gera conflito. Sem dúvida, o vencedor assumirá o status de absoluto. Mas por que o homem teria vencido desde o início? É possível que as mulheres pudessem ter obtido a vitória, ou que o resultado do conflito nunca pudesse ter sido resolvido.

Então, como é que o mundo sempre pertenceu aos homens e que essa situação só recentemente começou a mudar? Será essa mudança boa? Ocasionará uma divisão do mundo em partes iguais, tanto para os homens quanto para as mulheres?”.

Nesse sentido, arrisco-me uma reflexão: A vida pode ser diferente do que é?

Natália Moraes é presidenta da Juventude Socialista do PDT do Rio de Janeiro e do B.C. Órfãos do Brizola., militante feminista e estudante de Administração Pública na UNIRIO.

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