11 NOV 16

Basta apenas reler os enunciados de nossa origem e levar para a rua nossa voz e nossa ação.

Minha formação ideológica e militância sempre estiveram radicalmente ligadas ao trabalhismo.
O trabalhismo brasileiro, desde sua origem tem vínculos profundos com a origem do “pensamento social da igreja” emanado da “Rerum Novarum” decifrada e devidamente trançada por nosso principal ideólogo, Alberto Pasqualini, nas obras que deram origem a nossa ideologia.

Minha maior aproximação com quadros da igreja católica se deu durante os anos 70, na luta contra a ditadura, pricipalmente na JUC (juventude universitária católica) e na JOC (juventude operária católica). Desde então conservei o bom hábito de acompanhar e estudar os documentos papais que se relacionam com a conjuntura social mundial.

Na chamada “Era da Globalização”, os Estados Unidos estão radicalmente divididos pelas desigualdades, assim como os ingleses se dividiram no Brexit.

No Brasil, a secular divisão por desigualdades agora é profunda, e solar.

Três dias antes da eleição de Trump, no Vaticano, no “Terceiro Encontro Mundial de Movimentos Populares”, o Papa Francisco falou sobre esse Mundo dividido.

Para Francisco, mundo dividido entre “Os Povos” e o “Muro do dinheiro”.

Com clareza e dureza raras vezes vistas em Chefe de Estado, o Papa perguntou: “Quem governa? Como governa?”.

O próprio Papa respondeu:

-O Dinheiro governa. Governa com o chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência…

Disse o Papa: “Existe um terrorismo de base que deriva do controle global do dinheiro sobre a Terra e ameaça toda a humanidade”.

“Existe corrupção na política”, entende o Papa, como “existe corrupção nas empresas, existe corrupção nos meios de comunicação, existe corrupção nas Igrejas…”.

“Existe corrupção também nas organizações sociais e nos movimentos populares”.

Francisco atacou a “Ordem Mundial” que fez do dinheiro “um ídolo”, e a corrupção nos mercados financeiros. O que chamou de “A Internacional do Dinheiro”.

A corrupção via mercados, alerta o Papa, “é menos notícia do que a corrupção diretamente ligada ao âmbito político e social”.

Francisco cobrou a “resolução radical dos problemas dos pobres”, a renúncia “à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira”.

Sem tais ações, prega Francisco, “não se resolverão os problemas do mundo e, definitivamente, nenhum problema”.

O Papa conclamou 5 mil representantes de Movimentos Populares de 60 países ao trabalho de mudar um “sistema socioeconômico” imoral, injusto e desigual.

Nesse momento em que se pecebe uma dormência generalizada frente ao avanço da direita e um enorme retrocesso dos direitos sociais e trabalhistas, tais palvras devem instigar a reflexão de qual deve ser nosso papel enquanto militantes de um partido popular.

A nós, trabalhistas, uma tarefa nada difícil. Basta apenas reler os enunciados de nossa origem e levar para a rua nossa voz e nossa ação.

Júlio Rocha
Presidente do PDT de Luziânia

Júlio Rocha

Militante do PDT. Presidente do partido em Luziânia - GO, Analista de Projetos e Programas - Políticas Públicas na empresa INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO E GESTÃO PÚBLICA e Assessor de Comunicação Social no município.

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