24 NOV 16

MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA TAMBÉM É AZUL

O Brasil tem atualmente 210. 484. 655 brasileiros. Destes, 103.549.001 são homens, totalizando 49.2% da população geral. Segundo o IBGE, os negros (pretos e pardos) representam 53,6% da população, e quanto à condição socioeconômica, apenas 17, 4% se encontram na parcela mais rica do país. Nas camadas mais empobrecidas, os negros são a maioria.

Desde que os africanos, sequestrados e traficados, chegaram ao Brasil para sustentar economicamente uma sociedade escravocrata, a luta por reconhecimento de direitos é grande.

Houve avanços nos últimos 15 anos com as leis de cotas, que liberou o acesso à universidade, ao emprego público, a Lei 10. 630/03 sobre o ensino da cultura afro-brasileira, entre outras políticas de Igualdade Racial, além da criminalização do racismo. Avanços que vemos serem colocados em perigo com a nova composição do Congresso e o golpe parlamentar sofrido pela presidente eleita.

Os indicadores socioeconômicos no país demonstram como os quatrocentos anos de escravidão e uma política de invisibilidade e exclusão da população negra resultaram em aprofundamento de desigualdade, marginalização e violação de todo tipo de direitos. Os homens negros são os menos escolarizados da população – a maioria tem até o ensino fundamental – , são os majoritários na evasão e no atraso idade e ano escolar, sendo as dificuldades indicadas para isso a precariedade da situação socioeconômica familiar, o trabalho infantil, e até mesmo a dificuldade de acesso à escola em áreas de risco e rural.

Em decorrência disso, no mercado de trabalho, homens negros ocupam as funções de subempregos ou os famosos “bicos”, na maioria em construção civil, além de estarem presentes na indústria de transformação, serviços, e trabalhando como ambulantes. A decorrência disso são baixos salários, o que leva à precariedade de moradia, tanto na habitualidade da residência, quanto à localidade, sendo áreas de risco para desabamento, enchentes e também de segurança.

A negação de direitos sociais básicos à população negra atinge também os homens no que se refere à saúde, visto que são eles, junto com suas mulheres e filhos, os maiores usuários dos serviços públicos de saúde. Hoje, em franco ataque e desmonte pelo governo ilegítimo de Michel Temer.

E, lembrando que esse mês marca a Consciência Negra com o aniversário de um dos nossos líderes de resistência e luta por nossos direitos e dignidade humana, Zumbi dos Palmares e a sua inseparável e não menos lutadora Dandara de Palmares, é também o novembro azul: mês de cuidados com a saúde masculina.

Falar do exame de próstata sempre provoca risos nervosos e brincadeiras entre os homens, mas, o assunto é sério. O câncer de próstata é a doença que mais mata homens no Brasil. Mesmo sendo tão letal quanto o câncer de mama, somente há pouco tempo e ainda de forma incipiente, iniciaram-se campanhas para a prevenção do câncer de próstata.

grafico1

Olhe os gráficos abaixo sobre mortalidade de câncer de próstata e de mama, os dados são do Atlas de Mortalidade do Inca

grafico2

Mortalidade por câncer de próstata no Brasil

Mortalidade de câncer de mama no Brasil.

grafico3

As estimativas não são animadoras para este ano.

E os fatores de risco para o câncer de próstata? “São eles:

Idade acima dos 50 anos: 80% dos casos ocorrem em homens a partir desta idade.

Raça negra: A doença tem maior incidência na raça negra

Alimentação inadequada: Dieta rica em gorduras e pobre em vegetais e frutas baixam as defesas do corpo contra o câncer.

Vida sedentária: A falta de exercícios físicos regulares e o peso acima do normal, aumentam os riscos.

Hereditariedade: Se algum parente próximo tiver câncer duplica sua chance de desenvolver um”.

 

grafico4

Homens negros apresentam risco cerca de 2 vezes maior de manifestar a doença, além de chance de 2,5 a 3 vezes maior de morrer pelo câncer[3].  Algumas pesquisas tendem a relacionar o fato à questão de hereditariedade. Outros já buscam razões socioeconômicas, como a falta de acesso a serviços de qualidade de saúde tanto para a prevenção e tratamento, a baixa escolaridade, a qualidade da vida, ou falta dela diante da situação de vulnerabilidade social.

Nesse mês da Consciência Negra conclamamos todos os homens: negros e brancos a cuidarem de sua saúde, a exigirem nos espaços de controle social de saúde, políticas de prevenção e tratamento modernos e eficazes para a população que depende da saúde pública.

Antes de tudo, tomarem consciência da importância da prevenção.

A prevenção ao câncer de próstata deve ser algo tão comum e corriqueiro em suas vidas como o futebol com os amigos e aquela cervejinha no fim do jogo.

Cuidem-se meninos, o mundo é mais bonito com vocês!

Candida Maria Ferreira da Silva

Assistente Social, Teóloga, Especialista em infância e violência doméstica pela USP, escritora, poetisa, secretária de defesa de direitos da Mulher Negra da AMT/RJ e militante do movimento negro do PDT.

COMENTÁRIOS