04 FEB 17

A CRISE DA ESQUERDA BRASILEIRA

Diz o ditado que a esquerda só se reúne na cadeia. Talvez na atualidade, nem na cadeia haja união, devido a sua perda paulatina de características que a distingue da direita, e as bandeiras históricas.

Doente do pragmatismo, que é um pensamento filosófico criado no fim do século XIX pelo americano Charles Sanders Peirce, com a ajuda do psicólogo Wiliam James e pelo jurista Oliver Wendell Holmes Jr., que conjecturam o valor prático como critério da verdade.

Abdicando-se da busca de um Estado mais justo, a esquerda brasileira manda às favas a utopia e a sua historiedade, rasgando biografias em latrinas.

Não basta o golpe engendrado pela associação do monopólio midiático, liderado pela Rede Globo, um poder Judiciário partidarizado no conceito conservador, elitista e preconceituoso, e os partidos representantes do anacronismo social, a esquerda se ajoelha diante da nova ordem estabelecida pelos algozes da democracia.

As eleições que reelegeram Rodrigo Maia para presidir a Câmara dos Deputados Federais é uma bofetada na cara de militantes, simpatizantes e sonhadores do ideário progressista.

Opção genuína do campo progressista, o candidato das “oposições”, André Figueiredo, do PDT (CE), reunia e reúne todas as prerrogativas de um fidedigno líder das esquerdas. Sua história regressa o credenciava e o credencia tanto para tal tarefa como para outras.

Mas, a quebra da palavra empenhada por meio de ato pérfido e a deslealdade revelam à opinião pública brasileira a exata dimensão da grave crise que passa a esquerda.

Somando-se as bancadas ditas de “esquerda”: PDT com 21 deputados, PT com 57 deputados e Rede com 4, totaliza-se 82 deputados. Com referência infeliz do PCdoB, com 12 deputados, que optou impudicamente em apoiar o candidato da direita, um dos líderes do golpe e que apeou a presidente Dilma Rousseff da presidência, o deputado Rodrigo Maia, do DEM.

Sorumbático momento de desideologia, de abandono de bandeiras, de perda de identidade, e de pragmatismo indigno. Afinal, se o pirão é pouco, o meu primeiro.

Refletir a crise da esquerda e verificar que entre o discurso e a prática existe um denso abismo, o jogo do poder se coloca acima das posturas, ditas coerentes, além de uma completa renúncia das grandes causas do nosso povo, hoje sintetizadas em emprego e desenvolvimento.

Contentamo-nos apenas na política das minorias que devem ser atendidas, mas abdicamos da grande política nacional.

Urgente e imperiosa se faz a edificação de um projeto nacional, a defesa de nosso patrimônio, a afirmação de nossa soberania.

A miopia pragmática, o apequenamento das descomposturas diante da eleição da presidência da Câmara dos Deputados, servirá incondicionalmente para o aceleramento do desmonte do Estado Nacional, e para o aprofundamento das medidas neoliberais projetadas pelo governo ilegítimo que temos; que tem compulsão em tirar direitos trabalhistas e previdenciários de nosso povo.

Este é o resultado prático de se fazer discursos acalorados em público e ficar de joelhos em privado, uma verdadeira traição ao povo brasileiro.

Henrique Matthiesen

Formado em Direito pela Faculdade de Americana - SP. Filiado ao PDT desde de 1995, foi vice-presidente da UBEs e presidente Estadual da JS-PDT. Articulista em jornais como “O Liberal em Americana”, “Diário Rio Claro”, “Colaborador Diário da Manhã”, “O estado”, “Gazeta de Toledo”, “Correio de Curitiba” e “Jornal da cidade Bauru”, entre outros.

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