15 JAN 18

Todo poder à Brizolândia

Era início dos anos 80, que trouxeram ao Brasil os ares da democracia, arrancada do povo por um golpe civil-militar- eclesiástico.  Com o retorno de Leonel Brizola e seus leais companheiros ao cenário político brasileiro, a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, – sempre fervilhante e onde se destaca o busto de Getúlio Vargas -, passou a ser o local natural de encontro entre os velhos e os novos trabalhistas.

Como é típico das coisas que caem na boca do povo, rapidamente os milhares de transeuntes fazem o batismo do espaço. Aquele no entorno da escadaria da Câmara dos Vereadores recebeu o nome de Brizolândia (acrônimo de Brizola + Cinelândia).

Ali, naquele condomínio brizolista – ponto de partida e de chegada das atividades de rua, fundamentais para nosso fortalecimento partidário – conviveu a resistência popular que caracterizou o novo trabalhismo comandado por Brizola e desdobrado no PDT. Os debates variavam sobre política, cotidiano, violência, governo. Ou seja: sintetizavam a voz popular.

Durante um tempo, tornou-se, aparentemente, um espaço não ocupado. Apenas aparentemente, porque ali, como em uma espécie de osmose, persiste: no solo, o suor de cada um daqueles que – diuturnamente ou em dias de atividades pontuais – defendiam aquela cidadela; e, no ambiente mais amplo, mais etéreo, parte destes companheiros que partiram do nosso convívio terreno. Saudosos companheiros.

Quase 40 anos depois desta semente plantada, um grupo pedetista (dirigentes dos movimentos partidários), inspirado no brizolismo e antenado com o movimento de renovação da política, propõe a recriação da Brizolândia, adaptada ao modelo de comunicação contemporâneo.

Para isto, a meta é estender – sem limites – o espaço físico da Cinelândia. Além de atividades nas praças do Rio e das cidades do interior do Estado, também ocupar as redes sociais.

Com o desgaste da política e dos partidos, queremos radicalizar a democracia como método de participação. E não conhecemos experiência mais exitosa que a antiga Brizolândia: um espaço democrático, em que pessoas simples, camelôs, moradores de rua, operários e quem desejasse falar podia debater livremente suas visões.

Na realidade, a o que assistimos, hoje? Ao surgimento de diversos movimentos – organizados ou espontâneos – pela direita ou pelo centro.

Nós, que viemos de longe (como dizia nosso mestre), queremos dizer que refundamos um movimento que tem como característica dar voz para os de baixo. Entendemos que a luta maior do povo não é da direita e esquerda: esta é travada apenas no campo de ideias pré-definidas.

Nossa meta é mais profunda – obedece aos mais amplos ensinamentos de nossos líderes, nossos teóricos trabalhistas: a luta contra as castas; que deve ser, fundamentalmente, travada pelos chamados de baixo, que são excluídos da participação, frente aos autodefinidos de cima, cheios de privilégios. É nisto que queremos focar.

Assistimos, nos últimos anos, a grandes processos de crítica aos concorridos sistemas de poder, inclusive dos partidos. Nossa nova Brizolândia – como a original – é de todos, do povo, da participação e também dos militantes populares do PDT, porque aqui acreditamos em formas de lutas distintas e plurais, desde que tenha foco nos interesses do povão.

Não queremos excluir, queremos somar. Basta de polarizações artificiais: o Brasil não é PT versus PSDB; não é coxinha ou mortadela; azul e amarelo. O Brasil é diverso, de todas as cores, credos e caras.

Vamos investir na radicalização democrática, na defesa do bem-comum, pois é de todos. Sem ódios, com muito amor para o Brasil e nossa gente. Queremos todos que pensam assim juntos, construindo uma grande consciência democrática.

Para isto, pretendemos seguir à risca o pensamento de Leonel Brizola: “Os caminhos a gente encontra caminhando”.

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Everton Gomes

Vice-presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini no Rio de Janeiro e mestre em Ciência Política.

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