20 FEB 18

Jango e o combate à ignorância

Tenho em mente as palavras declaradas por meu avô João Goulart, na ocasião de uma entrevista já no exílio a um historiador chamado John W. Foster.

Disse Jango: “Meu maior crime foi tentar combater a ignorância”

Passam os anos, e a cada dia mais vou compreendendo a dimensão do significado destas palavras.

Sob o malfadado argumento da ditadura civil-militar de 64, inteligência da Escola Superior de Guerra, fundamentada no acirramento da guerra fria, nossa nação foi submetida à intermináveis 21 um anos de trevas.

Hoje, o fantasma da ditadura revestido com outra roupagem, bem diferente do singelo manto branco fantasmagórico daqueles tempos, surge reiteradamente a cada movimento suspeito, vindo de um governo sem compromisso com os interesses do povo brasileiro.

Sigo sem compreender aos que imaginam que as arbitrariedades ditatoriais, excluindo autoritariamente a participação popular nas soluções para o Brasil, seja o caminho do desenvolvimento da nação brasileira. Nunca foi! Não é! Nunca será!

Fato é que a condução a qualquer extremo gera a instabilidade, e a instabilidade gera a ignorância por todos os lados.

O desrespeito a qualquer centralidade institucional, qualquer que seja o poder atingido, aumenta a crise de confiança entre representantes e representados.

É nesse ponto que qualquer tentativa de bom senso, diálogo, pensamento crítico torna-se incompreensível, levando à subversão de valores democráticos.

Até porque, nessa altura, lamentavelmente o desrespeito desceu do elevado patamar das instituições para o cotidiano pessoal de cada um de nós.

Meu avô foi deposto em razão de uma ignorância propositalmente articulada por seus adversários, somos cientes disso. Interesses do capital internacional, aliado à uma burguesia nacional que não admitia perder nenhum privilégio.

Quem perdeu mesmo foi a Nação brasileira, pois hoje seriamos um país de primeiro mundo.

No próximo dia 1 de março, Jango completaria 99 anos. E sua maior lição, posso afirmar com conhecimento de causa, foi deixar um legado de democracia, de paz social e de reformas de base, que até hoje não aconteceram no Brasil.

Passados tantos anos, em tempos contraditórios, vale reafirmar a luta contra a ignorância, na certeza de que nunca será fácil a condução dos destinos dos povos vivendo dentro de uma profunda crise de valores. Mesmo assim, vale à pena!

Vale viver uma vida, mesmo que incompreendido num primeiro momento, apontando para a necessidade de harmonia e convergência, na contramão de um mundo, ontem e hoje, contaminado pela ignorância da radicalização.

Pelos pais, pelos filhos, pelos netos de cada cidadão brasileiro.

Valeu, sim, e continua valendo, meu avô, Presidente Jango.

DITADURA NUNCA MAIS.
DEMOCRACIA, SEMPRE!

Galeria de fotos

Christopher Goulart

Advogado e primeiro suplente de senador pelo PDT do Rio Grande do Sul.

COMENTÁRIOS