10 OCT 17

Terceiro Mundo: revista combativa do centenário Neiva Moreira

Na edição especial, de 1982, destaca as entrevistas com Salvador Allende e Yasser Arafat

*Por Bruno Ribeiro

Brasília, 10/10/2017 – Uma coletânea de textos que retratavam, com a devida isenção e clareza, fatos e realidades de um mundo que em constante mutação. Assim, foi lançada, em dezembro de 1982, a edição comemorativa número 50 da revista ‘Cadernos do Terceiro Mundo’, produto conduzido pelo jornalista pedetista, Neiva Moreira, que hoje completaria 100 anos. Peculiar e combativa, o produto independente foi criado em 1974, com Darcy Ribeiro no Conselho Editorial, e marcou a história não só da comunicação, mas de gerações de leitores em todo o mundo.

Sempre na vanguarda, Neiva mostrava com a divulgação de reportagens e artigos a perspectiva ampliada de futuro que detinha a partir de sua experiência de vida em diversos países e regiões. A versão especial – confira na íntegra, ao final – condensou entrevistas com personalidades marcantes, incluindo Salvador Allende Gossens, médico e político chileno que fundou o Partido Socialista e governou seu país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado, bem como Yasser Arafat, presidente da Organização para a Libertação da Palestina.

No editorial, reforça os princípios da revista e pontua os alicerces construídos em cada folha, ao longo dos anos, sobre a América Latina e demais continentes. “É importante assinalar o caráter totalmente independente de nosso projeto editorial. Não estamos submetidos a governos, partidos, grupos ou entidades nacionais ou internacionais”, indicou.

Sobre o perfil dos parceiros, ele é bem claro: “Nossos aliados são aqueles que lutam pela emancipação dos povos, por uma sociedade sem opressores e que enfrentam e resistem ao imperialismo, cuja vanguarda operacional, as empresas multinacionais, são bem conhecidas não só no Brasil, como em todo o Terceiro Mundo.”

Já para descrever os adversários, ele também não usa entrelinhas: “Nossos adversários, estejam em qualquer partido, grupo ou associação, seja qual for a sua cor, condição social ou religião, são os que servem a esse sistema e, portanto, se opõem ao desenvolvimento independente a que aspiramos e a uma transformação das estruturas injustas que o capitalismo criou e·agora explora.”

Sobre a importância da juventude e da comunicação alternativa no contexto global, Neiva mais uma vez apresenta sua sensibilidade diante da firmeza necessária. “Seria gratificante se pudéssemos atrair a atenção dos jovens para o grande debate dos nossos dias, em torno de uma Nova Ordem Internacional da Informação. Trocando em miúdos, isso não é outra coisa senão a própria comunicação alternativa. No Brasil, diríamos que é o caminho que o notável esforço da imprensa nanica está abrindo, não sem dificuldades e riscos.”

Acervo

Quer conhecer outras edições da revista? No repositório da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRJ), você poderá conferir o acervo digitalizado. Clique aqui.

Perfil

Reconhecido trabalhista, aderiu à Carta de Lisboa, de 17 de junho de 1979. O documento, idealizado por Leonel Brizola, marcou a fundação do PDT diante do fim do processo de exílio gerado pela ditadura militar. Como parlamentar, sempre se destacou durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Maranhão e na Câmara Federal.

Homenagem

Ainda neste mês, a Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) lançará uma cartilha trabalhista em sua homenagem. A produção disponibilizará materiais inéditos, incluindo fotos, que foram doados por familiares do pedetista.

Galeria de fotos

Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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