05 FEB 18

Osvaldo Maneschy: “Caó juntou à luta política pela democracia a inclusão do afrodescendente”

O jornalista exaltou o vasto legado do ex-deputado pedetista, que faleceu neste domingo, aos 76 anos

*Por Bruno Ribeiro

Brasília, 5/2/2018 – O jornalista pedetista, Osvaldo Maneschy, usou sua rede social para homenagear Carlos Alberto Caó de Oliveira, o Caó, que faleceu neste domingo (4), mas deixou um eterno legado para o trabalhismo e para o Brasil.

Confira.

Notícia triste deste domingo (4): morreu, aos 76 anos, o jornalista Carlos Alberto Caó de Oliveira, o Caó, advogado, militante histórico do movimento negro e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas o Rio de Janeiro por duas gestões. Eleito deputado federal pelo PDT, foi autor na Lei 7.437/1985 que alterou o texto da Lei Afonso Arinos, de 1951, tornando contravenção penal o preconceito de raça, cor, sexo e estado. O texto ficou conhecido como ‘Lei Caó’.

Ele foi responsável pela inclusão na Carta Magna de 1988 do inciso ao Artigo 5º que tornou racismo crime inafiançável e imprescritível. Mais tarde, foi autor da Lei 7.716/1989, que regulamentou o texto constitucional determinando prisão para o crime de preconceito e discriminação de raça ou cor. Caó, nasceu na Bahia, onde foi líder estudantil e comunitário. Como jornalista trabalhou, entre outros veículos, no “Jornal do Brasil” e na revista “Veja”.

Juntou à luta política pela democracia a inclusão do afrodescendente. e campanha. No governo Brizola, quando era secretário de Habitação e Trabalho, recepcionou Nelson Mandela no Rio de Janeiro, junto com Brizola e Abdias do Nascimento.

Caó conta como foi essa história na revista “Raça”:

“Acho que em maio, três meses antes da visita de Mandela ao Brasil, na secretaria de Trabalho e Habitação recebi um telefonema de Howard Shapiro, então adido cultural da embaixada americana no Rio de Janeiro. Ele me convidou para almoçar. Fui e ele me perguntou se nós do movimento negro estávamos programando alguma manifestação política quando da vinda do Mandela em agosto. Eu disse a ele que sequer sabia da visita, o que realmente era verdade, e muito menos de um ato político. Aí eu percebi que ele era agente da CIA.

“Antecedendo à vinda de Nelson Mandela, convidado pela Comissão Legislativa do Senado, os seguranças dele haviam chegado ao Brasil no final de julho para avaliar as condições de estadia e locomoção, como acontece quando da visita de qualquer autoridade ou figura pública mundial. Mas eu desconhecia este fato.

“Um dia alguém ligou para a secretaria e relatou as condições em que o seguranças dele estavam hospedados: no Hotel Ambassador – Centro do Rio -, sem direito a telefone e frigobar. Eles estavam furiosos e já haviam reprovado a visita de Mandela ao Brasil.

“Fomos até lá, conversamos com eles e os convencemos a reavaliar a situação e os levamos para outro lugar mais confortável, o Othon, estrategicamente perto da casa do Brizola. Neste meio tempo, viabilizamos meios para a estadia de toda a comitiva. Me orgulho muito disto- , disse Caó.”

Na foto, no palanque armado nos jardins do Palácio Guanabara para receber Mandela em sua visita oficial ao Rio de Janeiro em 1991, Brizola, Abdias do Nascimento, o então prefeito Marcelo Alencar e na direita, Caó.

(Fontes: Domício Gonzaga, Cacau de Brito, Maria Helena Oliveira, Júnior Perim e revista “Raça”).

                                          

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Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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