09 MAY 18

‘Trabalhismo em Diálogo‘ discute Maio de 68

Nova edição do projeto da Fundação foi realizada na sede do PDT fluminense

*Por Fábio Pequeno

Rio de Janeiro, 10/5/2018 – A Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasquali (FLB-AP) promoveu na última segunda (7), no auditório Benedito Cerqueira, do Diretório Estadual do PDT do Rio de Janeiro, um debate sobre “Maio de 68 e suas influências na juventude”.

Coube aos debatedores, a professora Eliete Ferrer e Henrique Matthiesen explicarem a importância deste momento histórico para a sociedade brasileira.

De acordo com a professora Eliete, 1968 foi o ano em que eclodiu os maiores protestos contra a ditadura militar; mas, diferente de hoje, aconteceram por conta de maior conscientização da sociedade daquele tempo. E argumenta: “Tivemos um golpe em 2016; e o que se viu? Nada. Naquela época, o povo era mais politizado – infinitamente mais politizado. As escolas eram mais ativas. Havia grande politização nos meios operários. E aí, aconteceu a passeata dos cem mil”.

Ocorrida na principal avenida do Centro do Rio de Janeiro – a Rio Branco –, no dia 26 de junho de 1968, a “Passeata dos Cem Mil”, como ficou conhecida, foi a maior manifestação popular contra a ditadura militar no Brasil. Organizada e liderada pelo presidente da UME (União Metropolitana dos Estudantes), Vladimir Palmeira, contou com a participação de intelectuais, artistas e demais setores da sociedade brasileira.

“Aquela manifestação só aconteceu porque a esquerda, mesmo com todas as diferenças, se uniu. Jovens, artistas e intelectuais foram para a luta: fizeram passeatas, pequenos comícios, panfletagem; outros preferiram a luta armada. Mas todos tinham consciência de quem era o inimigo comum: a ditadura militar”.

Henrique, em suas análises, explicou que as movimentações políticas de 1968 tiveram suas raízes na formação da sociedade brasileira.

“O Brasil parte do princípio único: ele se forma enquanto povo e enquanto nação através da luta de classe. Se a gente não entender o Brasil pela ótica da luta de classe clássica, nós não vamos entender o Brasil”.

Para Henrique Matthiesen, o processo de colonização do Brasil tem um capítulo que se chama assimilação e resignação, porque, “nós somos uma sociedade que teve sua cidadania impedida. É proibido pensar, é proibido questionar, é proibido ser cidadão. E Qualquer movimento contrário, você vai sofrer as consequências. No início era tortura da casa grande na senzala; em 68, foram com os militares”, e enfatizou, em consideração finais:

“68 não acabou como muitos dizem. E o Trabalhismo também não. Nós temos, como missão, que contribuir efetivamente com a construção de um novo Brasil o tempo todo; a democracia. E, para isto, é necessário conhecer a história dos atos de autoritarismo que vitimaram a nossa gente”.

Projeto

“Trabalhismo em Diálogo” é uma iniciativa da Fundação que tem como meta discutir temas da nossa história e criar um ambiente de caráter progressista na sociedade.

No próximo dia 7 de maio, no mesmo local, vai ser debatido o tema Constituição de 88 e a participação popular.

Galeria de fotos

Bruno Ribeiro

Secretário Nacional de Comunicação da FLB-AP.

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