17 MAY 19

Ataque às universidades públicas: qual o real interesse no seu sucateamento?

Por Alexandre Mattos

Em recente entrevista ao SBT, o presidente, Jair Bolsonaro, afirmou que haverá uma redução de investimentos nas universidades federais. O corte nos recursos é da ordem de 30% e equivale a, aproximadamente, 5,8 bilhões de reais, conforme anunciado pelo MEC no dia 30 de abril.

Um dos argumentos utilizados para tal medida é para que se possa dar maior atenção ao ensino básico. Ao fazer essa afirmação, Jair Bolsonaro demonstra claramente um total desconhecimento de como funciona o financiamento da educação no Brasil.

O ensino fundamental (básico) é de responsabilidade de estados e municípios, com suas atribuições definidas pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação. Uma das justificativas para o corte das verbas é, segundo Jair Bolsonaro, – pasmem – a dificuldade das crianças em aprender a tabuada.

Segundo Luiz Davidovich, atual presidente da academia brasileira de ciências e um físico renomado, é importante fornecer ao Presidente da República a correta informação sobre as universidades federais, coletadas por instituições internacionais. Davidovich ressalta ainda que as universidades federais no Brasil produziram 250 mil artigos científicos entre 2011 e 2016, colocando Brasil na 13ª posição do ranking global (entre os mais de 190 países participantes) da produção científica. Entre os principais segmentos destacam-se: agricultura, medicina e saúde, ciência espacial e psiquiatria.

As universidades federais hoje respondem por cerca 95% de toda a pesquisa e o conhecimento científico produzido no Brasil. Percebo que o desmonte e os constantes ataques às universidades federais, tem outras razões que passo agora a destacar.

Um importante detalhe é que a atual vice-presidente da associação nacional das universidades privadas (ANUP) é Elizabeth Guedes. E para quem ainda não percebeu, estamos falando da irmã de Paulo Guedes (aquele do posto Ipiranga) o super- ministro do governo Bolsonaro. Alguém cuja a fúria privatista já é conhecida por todos de longa data.

Ficou claro agora a razão do desmonte, essa privatização do ensino superior, claramente favorecerá as universidades particulares, representadas por Elizabeth Guedes. E cujo principal interesse é o lucro financeiro dessas instituições acima de tudo.

Visto que já mostramos com clareza aqui, o papel de vanguarda científica e cultural ocupado pelas universidades federais no Brasil, na produção do conhecimento científico no Brasil, esse parentesco nocivo entre a vice-presidente da ANUP e o ministro da economia, deixa muito claro que não existe vontade política alguma do atual governo federal de apoiar a produção científica no Brasil. E ao contrário disso, o uso de posições governamentais estratégicas para satisfazer a interesses menores, visando apenas gerar lucro a um grupo pequeno e totalmente descomprometido com a educação e ciência no País.

Além disso, inviabilizando o acesso as universidades públicas, se inviabiliza também a possibilidade de redução das desigualdades sociais, pois acaba-se por impedir as classes menos favorecidas de acessar a oportunidade de obter melhores condições de vida e progresso.
Tendo em vista os aspectos observados, esse é mais um triste exemplo de como esse governo não demonstra ter projeto algum de desenvolvimento para o Brasil e está unicamente preocupado em entregar todo o patrimônio público e retroceder o máximo que puder no campo das garantias e direitos sociais tão duramente conquistados pela classe trabalhadora, partindo agora para atacar a previdência social. Esse comportamento, sem compromisso algum com o povo brasileiro, merece atenção de todos, afinal de contas em 2020 e 2022 já teremos novas eleições, e não temos mais o direito de errar novamente.

Alexandre Mattos é 56 anos sociólogo (UFRGS) e presidente do núcleo de base Movimento Solidário RS.

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